domingo, 28 de agosto de 2011

O que ajuda ou atrapalha no tratamento de pessoas com câncer Conheça atitudes que ajudam e outras que atrapalham no tratamento de pessoas com câncer, de acordo com informações de um psico-oncologista


Reynaldo Gianecchini com sua mãe e Marcos Paulo com sua esposa Antonia Fontenelle. Ambos foram diagnosticados com câncer.
Foto: AgNews
É câncer. A informação causa embrulho no estômago e medo do futuro. Coisas terríveis passam pela cabeça de quem ouve o diagnóstico: "Vou morrer logo!" "O tratamento vai me fazer sofrer?" "Por que eu?".

Encarar esse mal provoca sofrimento não só na pessoa que está doente: a família também fica sem saber o que fazer. E não adianta apenas torcer pela recuperação de quem se ama, é preciso dar apoio, suporte.

Esse é o caminho certo

Ouça as queixas sem fazer julgamentos É preciso criar um espaço para o paciente expor seus sentimentos, sem fazer julgamentos. Não é só concordar com o que ele diz, mas deixar que ele fale. "É como uma torneira com água suja saindo. Se ficar aberta, uma hora a água vai sair limpa. Deixe-o colocar tudo pra fora", orienta o psico-oncologista Ruy Fernando Barboza.

Entenda o medo que ele tem de morrer
É natural que sinta medo. Em grupos de ajuda, a pessoa fantasia a própria morte. Assim, entende que esse é um processo que faz parte do destino de todos.

Trace pequenas metas
Assistir a um filme, comer o que tem vontade, fazer programas simples. Quando consegue atingir o objetivo, a pessoa fica confiante. Desejos grandiosos podem frustrá-la.

Fale a verdade
Quando o paciente sabe o que realmente tem, pode colaborar mais com o tratamento.

Estimule-o a fazer outras atividades
Desenhar o corpo vencendo a doença ou estar em contato com pessoas que estejam passando por isso pode ajudar.

Evite se comportar assim

Tentar prever quanto tempo de vida ele tem
Ninguém pode fazer isso, nem o médico! É preciso manter a esperança e sempre acreditar no melhor.

Esconder sua dor e chorar no banheiro
O paciente quer chorar, colocar a raiva pra fora, seus medos, mas fica constrangido de fazer isso na frente dos outros, que parecem estar bem. Bloquear esses sentimentos prejudica seu sistema imunológico. O choro alivia.

Reprimir emoções
É normal que o paciente sinta raiva, medo, tristeza, revolta. Deixe que a pessoa se expresse, seja chorando, falando ou até gritando.

Obrigar o paciente a fazer quimioterapia
Tente ouvi-lo e diga que ele está agindo assim porque tem motivo, está com raiva. Depois que ele desabafar, é comum voltar atrás e aceitar o tratamento.

Exigir que o paciente fique sempre pra cima
Respeite os momentos de altos e baixos dele, sem forçar o otimismo. Se ele está otimista, melhor. Mas cobrar dele um sorriso constante não ajuda. Seja paciente e amoroso.

Por Roberta Cerasoli
Fonte: MdeMulher
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